Hoje, tive minha atenção chamada por uma coisa muito, mas muito corriqueira mesmo. Eu estava dentro do ônibus assim, como quem não quer nada, indo pra casa, quando olhei pela minha janela e vi uma senhora, mas senhora mesmo, de, no mínimo, 80 anos, dirigindo seu carro, feliz da vida. Como já disse, eu sei que isso não tem nada de anormal, mas aquela cena me chamou a atenção de uma maneira ímpar. O semblante daquela senhora transmitia uma independência que me deixou envergonhado. Detalhe: ela estava sozinha dentro do carro, em uma das avenidas mais movimentadas de Florianópolis.Naquele momento, minha mente viajou e eu me vi conversando com ela e dizendo Vó, dá uma carona? Eu quis convidá-la para tomar um café comigo e ouvir a história da vida dela. Quem seria aquela senhora que me causou tanta admiração pelo simples fato de estar dirigindo? Seria uma professora, médica, advogada, psicóloga aposentada? Seria ela uma dona de casa, apenas? E os lugares por onde ela viajou, as pessoas que conheceu? Terá marido? Teve filhos? Quantos? O que eles fazem?
Não sei se foi porque convivi muito pouco com minhas avós, mas imaginei aquela simpática coroa me dizendo: Ro, vem cá que a vovó está com saudade de ti, meu netinho. Tá bom, eu sei que estou delirando, mas foi isso que eu senti. Tive vontade de abraçá-la e dizer que ela era vovó mais querida que eu já conheci. Se ela tiver netos, que eu acho que ela deve ter uma meia dúzia, no mínimo, espero que eles saibam tratá-la bem.
Não sei de onde ela veio, tampouco pra onde estava indo; se era judia, católica ou pagã; se tinha o nome limpo ou se estava no SPC; se era mocinha ou vilã. A única coisa que sei é que meus olhos escolheram ver a imagem de uma pessoa amada, que viajou por muitos lugares, fala várias línguas, é a melhor vó do mundo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário