Há momentos em que eu invejo as plantas. Elas fazem fotossíntese, não precisam de ninguém. Eu, pelo menos, nunca ouvi dizer de uma árvore que precisasse de carinho ou que se sentisse sozinha. Ou - o que é pior -, se apaixonasse. Ou, por se sentir sozinha, tomasse uma garrafa de vinho, como é meu caso, hoje.
Nenhuma planta sai por aí comentando que sente saudade de um amor do passado. Se bem que, quanto a isso eu não tenho muito o que me queixar, já que faz algum tempo que parei de falar sobre as dores de um amor que se foi. Mas hoje é inevitável.
Tudo começou com um e-mail que eu mandei por engano. A intenção era mandá-lo a um grupo de colegas da faculdade, a respeito de um trabalho, só que, sem querer, entre um dos destinatários, estava o meu ex-amor. Nomes iguais, e na hora de encaminhar, nao prestei atenção no que estava fazendo e enviei. Só me dei por conta quando fui me certificar de que havia mandado a todos os envolvidos - que eu tenho essa mania. Quase caí de costas, mas me reergui. Entretanto, não pude evitar passar o restante do dia relembrando fatos vividos, e que foram inesquecíveis. Porém, a partir de um determinado ponto, relembrar também faz sofrer. Sofrer pelo que se foi e não volta mais; sofrer por não haver nada o que fazer para viver tudo, outra vez; sofrer pelo ponto final. E é nessas horas que se faz necessário relembrar, também, dos momentos de crise. Dos defeitos que o ex-amor tinha, do seu egoísmo, da sua falta de sensibilidade, da sua arrogância, do seu ar de superioridade. Na verdade, nem sei se esses defeitos existiram, mas tento encaixá-los. Se sonhar com coisas boas é ilusão, talvez essa ilusão de que foi melhor assim também mereça ser considerada.
Sei lá. Essa garrafa de vinho me deixou confuso. Agora, sinto uma voz sussurar, dizendo que isso foi necessário pra que eu conhecesse o amor, bem como o poder do adeus.
sábado, 10 de dezembro de 2011
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