quarta-feira, 16 de maio de 2012

À moda antiga

Hoje eu queria estar um pouco mais animado, mas está meio difícil já que a água do meu prédio acabou. Tudo bem que está frio e que ninguém vai me usar, mas a questão é a higiene e nem tanto o fato de não ter ninguém pra relar. Não sou muito chegado em banho de canequinha, bem ao contrário de uma antiga vizinha dos meus pais, italiana, que, no inverno, tomava banho sentada atrás do fogão à lenha. Ela também fazia queijo colonial pra vender, e dizia que a sujeira que se acumulava debaixo das unhas saía todinha. Melhor nem pensar pra onde ia essa craca. Agora, me vejo acordado, esperando a água voltar pra poder tomar banho e dormir.
Isso faz eu me lembrar das vezes, quando eu era criança e morava no sítio, e morria de medo de perereca. Sim, perereca. Uma espécie de perereca eu tenho medo, já a outra, não gosto mesmo. Voltando ao assunto, eu detestava a ideia de dividir o mesmo mundo com as verdinhas. Elas eram tão repugnantes, frias e assustadoras que eu imaginava terem vindo de outro planeta - o Planeta das pererecas -. Só que as danadinhas, volta e meia, apareciam no banheiro e queria disputar território comigo. Era eu ligar o chuveiro e pegar o sabonete pra logo avistar aquele monstro grudado a uma das paredes geladas. Impossível ser indiferente diante de tão abominável monstro que me observava em momento tão íntimo. Como eu não era louco pra aceitar passivamente aquelas situações - que não foram poucas -, eu berrava e logo minha mãe vinha em meu socorro. Até o dia em que ela cansou e disse que eu já era mocinho e estava em tempo de eu cuidar sozinho da perereca. Então, para evitar dissabores e tendo em vista que aquele espaço era pequeno de mais pra mim e pra perereca, tomei a atitude mais sábia e a que considerei mais cabível naquele momento, que foi a de deixar o banheiro todinho pra ela e tomar banho no tanque da lavanderia por alguns dias, até que ela tomasse o rumo dela e fosse desbravar outras paredes azulejadas.
Hoje eu cresci e, comigo, cresceu também o medo de anfíbios, repteis e afins. E eu continuo de mau- humor.


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