Eu já estou me acostumando. Fazer o quê, é a vida, né? Ir ao cinema sem companhia acabou por tornar-se a coisa mais comum do mundo. Nas duas últimas quintas-feiras assisti a filmes, só. Sentei na última fileira pra atrapalhar os casaisinhos que procuram um pouco mais de privacidade nos últimos lugares. Mas o cinema estava quase vazio, e, por ironia do destino ou coisa parecida, ninguém sentou por lá. Os filmes eram ótimos, valeu a falta de companhia.
Várias pessoas são mal-amadas e nem por isso desanimam. Eu sou uma delas. Cheguei à conclusão de que quando pensamos ter chegado ao fundo do poço, sempre dá pra cavar mais uns metros. No sábado, foi a revelação do amigo-secreto do meu trabalho. Eu estava na expectativa para saber quem havia me tirado, o coração aos pulos horas antes da festa, quando, de repente, chega minha colega:
- Rodrigo, telefone pra ti na recepção.
-Pra mim? Eu existo na vida de alguém! Ou... - disse eu, enquanto me dirigia à recepção, aflito, pensando inúmeras besteiras, pois ninguém me liga nem no celular, quiçá no trabalho!
-Alô?! - atendi.
-Oi, Rodrigo, aqui é a Camila! - respondeu, amável, a voz do outro lado.
- Tudo bem, Camila? - perguntei, também amavelmente, sem saber quem era Camila.
- Rodrigo, eu tô ligando pra dizer que tu é o meu amigo-secreto. Eu saí da empresa e não vou mais à festa. Mas eu passo no Bob's em meia hora... Se tu quiser passar lá pra pegar teu presente, eu levo.
Foi horrível. Senti como se um balde de água fria estivesse sendo jogado em mim. Cadê o espírito do amigo secreto? Eu queria a emoção da surpresa em saber quem tinha me tirado, a descrição das qualidades ou defeitos, todos os colegas ligando as descrições às pessoas e "chutando" nomes. O presente é apenas o arremate, a cereja do bolo.
Depois dessa, voltei ao meu posto e me perguntei o que, ainda, me restava naquela noite. Por que eu perguntei. Não deu cinco minutos que passou um senhor, queixando-se que estava com bichos-de-pé.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
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